Paulo Roberto Gomes Fernandes, empreendedor com trajetória consolidada no setor de infraestrutura energética, tomou uma decisão que parecia contraintuitiva para o mercado da época: substituir os roletes de aço usados em suportação de dutos por componentes fabricados em polímeros de alta performance. Em um setor acostumado à robustez aparente do metal, a proposta gerou ceticismo. O tempo e os resultados documentados provaram que a aposta estava certa.
O problema que ninguém tratava como problema
Os roletes de aço dominavam o mercado de suportação de dutos há décadas. Eram conhecidos, amplamente disponíveis e aparentemente confiáveis. O problema é que ninguém contabilizava de forma sistemática os custos reais de sua degradação.
Paulo Roberto Gomes Fernandes observou de perto o que acontecia com esses componentes em terminais marítimos e píeres de petróleo: corrosão acelerada pela névoa salina, perda progressiva de mobilidade, acúmulo de tensão nos tubos apoiados e substituições frequentes que interrompiam operações e geravam custos invisíveis no orçamento de manutenção.
O diagnóstico era claro: o mercado havia naturalizado um problema caro que tinha solução. A pergunta era qual material poderia substituir o aço com desempenho superior naquelas condições específicas.
A escolha dos polímeros e o desenvolvimento técnico
A resposta veio dos polímeros de engenharia, materiais com propriedades mecânicas capazes de suportar cargas relevantes, resistentes à corrosão química e imunes à ação da névoa salina. Paulo Roberto Gomes Fernandes liderou o desenvolvimento de roletes em plástico de alta performance que eliminavam os principais vetores de falha dos componentes metálicos convencionais.
Sem necessidade de lubrificação, sem corrosão galvânica e sem degradação por contato com produtos químicos presentes no ambiente marítimo, os novos roletes mantinham a mobilidade necessária para acomodar a expansão e a contração das tubulações ao longo dos ciclos operacionais.

O desenvolvimento exigiu a seleção criteriosa dos compostos poliméricos adequados para cada faixa de temperatura e carga, e a validação do comportamento mecânico em condições representativas da operação real.
A resistência do mercado e como foi superada
Apresentar uma solução em plástico para um setor que confia no aço não foi simples. A resistência inicial era compreensível: o metal é visualmente robusto, e a palavra plástico carregava conotação de fragilidade que não correspondia ao desempenho real dos polímeros de engenharia utilizados.
Paulo Roberto Gomes Fernandes adotou uma estratégia baseada em evidências. As primeiras instalações foram monitoradas com rigor, gerando certificados de desempenho que documentavam anos de operação sem substituição em ambientes como o TEBIG da Petrobras. Esses registros, apresentados a novos clientes, transformaram o ceticismo em interesse.
A conversão do mercado foi gradual, mas sólida. Cada instalação bem-sucedida gerava referências que facilitavam a próxima. A Liderroll construiu assim uma base de comprovação técnica que nenhum argumento de venda substituiria.
O legado da aposta e sua influência nas tecnologias seguintes
A decisão de desenvolver roletes em polímero foi muito mais do que um produto novo: ela estabeleceu uma filosofia de desenvolvimento tecnológico que marcaria toda a trajetória da Liderroll. Paulo Roberto Gomes Fernandes consolidou a prática de questionar os padrões estabelecidos e buscar soluções onde o mercado via apenas problemas inevitáveis.
Essa mesma lógica orientou o desenvolvimento dos roletes motrizes, do sistema ExoWay e dos suportes côncavos para túneis TBM, todos produtos que surgiram da recusa em aceitar que os métodos existentes eram os únicos possíveis. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a aposta no plástico foi o primeiro capítulo de uma história de inovação que o mercado global ainda está lendo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
