A procura por aplicativos aumentou às vésperas da Black Friday de 2026, mas esse crescimento não foi acompanhado por uma melhora na posição média dos apps nas lojas digitais. Um levantamento da Rank, antiga RankMyApp, identificou alta de 14,3% na busca por aplicativos entre agosto e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. No sentido oposto, o posicionamento médio dos aplicativos recuou 6,3%.
Os dados foram divulgados em 12 de outubro pelo E-Commerce Brasil, que publicou a análise produzida pela Rank. O levantamento retrata um cenário de maior interesse do consumidor, mas também de competição mais intensa pela atenção e pela descoberta dentro dos ambientes digitais usados para encontrar e instalar aplicativos.
Mais buscas não significam mais destaque
A diferença entre os dois indicadores é o principal sinal do estudo. De um lado, o público pesquisou mais por aplicativos no período analisado. De outro, os apps passaram a ocupar, em média, posições menos favoráveis nos rankings. Isso mostra que o aumento da demanda, sozinho, não assegura que uma marca será encontrada com facilidade pelos consumidores.
Em períodos de forte intenção de compra, como a preparação para a Black Friday, a visibilidade nas lojas de aplicativos se torna parte da disputa por aquisição de usuários. Os rankings funcionam como uma vitrine adicional para empresas que oferecem produtos, serviços ou benefícios por meio de apps. Quando o posicionamento cai, a marca pode perder espaço justamente no momento em que mais pessoas estão procurando soluções digitais relacionadas às compras.
A análise não trata apenas do volume de downloads ou do desempenho de campanhas de mídia paga. O dado sobre a posição média amplia a discussão para a etapa anterior à instalação: a capacidade de aparecer diante do usuário e transmitir, em poucos elementos, uma proposta relevante. Nesse processo, fatores como descrição, avaliações, imagens e organização da página do aplicativo podem influenciar a decisão de descoberta e instalação.
ASO ganha importância na disputa sazonal
Esse conjunto de práticas é associado ao App Store Optimization, conhecido pela sigla ASO. A estratégia reúne ações voltadas à melhoria da presença de um aplicativo nas lojas digitais, com atenção a elementos que ajudam o usuário a localizar, compreender e escolher determinado app. No contexto indicado pelo levantamento, o ASO aparece como uma frente complementar às campanhas de aquisição e às ações promocionais de Black Friday.
O recuo de 6,3% na posição média sugere que as empresas não competem apenas pelo interesse do consumidor, mas também pelo espaço ocupado nos canais de descoberta. Uma campanha pode ampliar o alcance de uma oferta, porém a experiência de encontrar o aplicativo, reconhecer a marca e entender seu benefício ocorre em uma etapa específica da jornada digital. É nessa transição entre busca, visualização e instalação que a visibilidade ganha impacto para o varejo e para os serviços digitais.
Por isso, a preparação para a data promocional envolve mais do que definir descontos e distribuir anúncios. A presença do aplicativo nas lojas, a qualidade dos criativos e a coerência entre a promessa da campanha e a página de instalação passam a fazer parte da mesma estratégia. O levantamento da Rank indica que o mercado pode registrar maior procura sem que todos os aplicativos se beneficiem igualmente desse movimento.
Competição aumenta antes da Black Friday
A comparação entre agosto e setembro de 2026 e o mesmo intervalo de 2025 oferece um retrato do período que antecede a Black Friday. O crescimento de 14,3% na procura aponta para uma audiência mais ativa na busca por aplicativos. A queda de 6,3% na posição média, por sua vez, evidencia que o ambiente se tornou mais disputado para as marcas que tentam alcançar esse público.
Para profissionais de marketing, varejistas e empresas que dependem de aplicativos, a principal leitura é que demanda e visibilidade são dimensões diferentes do desempenho digital. A primeira mostra que há interesse; a segunda indica quão facilmente o consumidor consegue encontrar cada opção. Trabalhar essas duas frentes de maneira integrada é especialmente relevante em uma janela sazonal, quando mais empresas concentram investimentos, ofertas e comunicação nos mesmos canais.
O levantamento divulgado pelo E-Commerce Brasil coloca, assim, a visibilidade dos aplicativos no centro da estratégia de Black Friday. O aumento das buscas representa uma oportunidade de alcançar novos usuários, mas a piora no posicionamento médio revela que essa oportunidade está acompanhada por uma disputa maior. Para as marcas, o desafio não é apenas gerar procura por uma oferta, mas garantir que o aplicativo esteja preparado para ser localizado e escolhido quando a intenção de compra aumenta.
