Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, elucida que a infraestrutura ocupa posição estratégica em qualquer economia que busca crescimento sustentável. Estradas, portos, aeroportos, sistemas de energia e redes logísticas eficientes influenciam diretamente a competitividade das empresas, a atração de investimentos e a capacidade de expansão dos mercados. Apesar dos avanços observados em diferentes áreas, o Brasil ainda convive com desafios que reduzem o potencial de desenvolvimento de projetos estruturantes.
Acompanhe os fatores que seguem influenciando o ritmo dessa transformação.
Por que a logística ainda representa um desafio para o país?
A dimensão territorial brasileira oferece inúmeras oportunidades econômicas, mas também amplia a complexidade da movimentação de pessoas e mercadorias. Em diversas regiões, a dependência excessiva do transporte rodoviário continua gerando impactos sobre custos operacionais, prazos de entrega e eficiência logística.
Embora novos investimentos tenham ampliado a capacidade de determinados corredores logísticos, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim destaca que ainda existem gargalos relacionados à integração entre diferentes modais. Em muitos casos, rodovias, ferrovias, portos e centros de distribuição operam sem o nível de conexão necessário para maximizar ganhos de produtividade. Essa falta de integração reduz a eficiência de cadeias produtivas inteiras.
As mudanças no comportamento do consumidor também contribuíram para aumentar a pressão sobre a infraestrutura. O crescimento das compras digitais elevou a demanda por entregas mais rápidas e operações logísticas mais sofisticadas. Como resultado, empresas passaram a depender cada vez mais de estruturas capazes de garantir velocidade, previsibilidade e segurança na distribuição de produtos.
O que impede uma expansão mais acelerada dos investimentos?
O interesse do mercado por projetos de infraestrutura cresceu significativamente nos últimos anos. Investidores nacionais e internacionais enxergam potencial em setores ligados à mobilidade, energia, saneamento e logística. Ainda assim, transformar esse interesse em empreendimentos concretos continua sendo um desafio em determinadas situações.

Conforme informa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, um dos fatores mais relevantes está relacionado à complexidade dos processos de planejamento e execução. Grandes obras exigem estudos detalhados, licenciamento, compatibilização de projetos e coordenação entre diferentes agentes. Quando essas etapas não avançam de forma eficiente, os cronogramas podem sofrer impactos significativos.
Como a tecnologia pode ajudar a superar esses obstáculos?
A digitalização vem assumindo papel cada vez mais importante na modernização da infraestrutura. Ferramentas de monitoramento, análise de dados e gestão integrada permitem acompanhar o desempenho dos empreendimentos com níveis de precisão que seriam difíceis de alcançar há poucos anos. Esse acompanhamento contínuo também possibilita uma tomada de decisão mais responsiva, baseada em indicadores atualizados em tempo real e integrados entre diferentes sistemas.
O avanço da inteligência artificial e dos sistemas de análise preditiva também amplia a capacidade de antecipar problemas e otimizar recursos. De acordo com Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, isso se aplica tanto à fase de planejamento quanto à operação de ativos já existentes. A utilização estratégica dessas tecnologias contribui para reduzir desperdícios, melhorar a manutenção e aumentar a eficiência operacional. Além disso, soluções como manutenção preditiva e simulações avançadas reforçam a confiabilidade dos sistemas e prolongam a vida útil das estruturas.
Paralelamente, cresce a adoção de soluções voltadas à sustentabilidade. Eficiência energética, gestão inteligente de recursos e redução de impactos ambientais passaram a integrar o planejamento de novos projetos. Essa tendência demonstra que o futuro da infraestrutura não depende apenas da expansão física dos ativos, mas também da capacidade de torná-los mais eficientes e resilientes. Soma-se a isso a crescente pressão regulatória e as exigências de critérios ESG, que reforçam a necessidade de projetos mais responsáveis e alinhados às demandas ambientais e sociais contemporâneas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
