Com o avanço de soluções digitais em praticamente todos os segmentos da economia, o setor funerário brasileiro chegou a um ponto de inflexão, e Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, observa o ritmo e as consequências dessa transformação sobre a operação de cemitérios e funerárias em todo o país. A tecnologia, que por muito tempo foi tratada como elemento secundário nesse mercado, tornou-se condição indispensável para quem pretende operar com eficiência, escala e qualidade de atendimento. Nas próximas linhas, você vai entender como essa transformação se manifesta na prática e o que ela exige das empresas do setor.
Gestão cemiterial e digitalização de registros
A digitalização de registros é um dos pilares mais urgentes da modernização no setor. Cemitérios brasileiros com décadas de operação acumulam arquivos físicos volumosos, muitas vezes deteriorados, que dificultam a localização de sepultamentos, a emissão de documentos e o atendimento às famílias que buscam informações sobre parentes falecidos. Conforme aponta Tiago Schietti, a conversão desses registros para bases de dados digitais não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas de preservação histórica e de respeito às famílias que dependem dessas informações para manter o vínculo com sua memória afetiva.
Sistemas de gestão cemiterial integrados permitem controlar disponibilidade de jazigos, agendamentos de sepultamento, exumações, renovações de contratos e emissão de certidões de forma centralizada e auditável, reduzindo erros, retrabalho e o tempo de resposta ao público.
Plataformas de memorialização digital
Uma das inovações mais significativas dos últimos anos é a consolidação das plataformas de memorialização digital, que permitem às famílias criar perfis de homenagem a seus entes queridos, reunindo fotografias, textos, vídeos e depoimentos em ambientes virtuais acessíveis a qualquer momento e de qualquer lugar do mundo. Tiago Schietti observa que esse tipo de serviço responde a uma demanda real de famílias geograficamente dispersas, que não têm como visitar fisicamente o cemitério com frequência, mas desejam manter viva a memória de quem perderam.
No cenário internacional, plataformas como a Ever Loved e a GrowthForce já operam com milhões de perfis ativos, integrando homenagens digitais a serviços de planejamento funerário e gestão de inventário. No Brasil, iniciativas similares começam a ganhar tração, especialmente entre grupos funerários que enxergam na memorialização digital uma extensão natural do relacionamento com as famílias atendidas.
Atendimento remoto e experiência do cliente
A pandemia de Covid-19 acelerou de forma irreversível a adoção de atendimento remoto no setor funerário. Velórios transmitidos ao vivo, contratos assinados digitalmente, orientações jurídicas e documentais realizadas por videochamada e chatbots de triagem para famílias em situação de luto tornaram-se práticas incorporadas por funerárias de diferentes portes. Segundo Tiago Schietti, o atendimento remoto, quando bem estruturado, não diminui a humanização do serviço, mas amplia o alcance da empresa e reduz o tempo de resposta em momentos em que cada hora importa para a família.

A experiência do cliente no setor funerário é medida em um contexto de altíssima sensibilidade emocional. Ferramentas digitais que simplificam processos burocráticos, como a obtenção de declaração de óbito, o acionamento de planos funerários e o agendamento de cerimônias, liberam as equipes para dedicar mais tempo ao acolhimento humano, que nenhuma tecnologia substitui.
Tecnologia aplicada à infraestrutura cemiterial
Além dos serviços voltados às famílias, a tecnologia transforma também a gestão interna dos cemitérios. Drones para monitoramento de grandes áreas, sensores de umidade e temperatura em câmaras frigoríficas, sistemas de irrigação automatizada com controle por aplicativo e softwares de manutenção preventiva de equipamentos são recursos que já integram a operação de cemitérios mais modernos no Brasil e no exterior.
Conforme detalha Tiago Schietti, a adoção dessas ferramentas reduz custos operacionais de forma mensurável, aumenta a vida útil dos equipamentos e permite antecipar falhas que, em um ambiente cemiterial, podem comprometer a qualidade do serviço prestado em momentos críticos. A gestão baseada em dados deixa de ser privilégio de grandes grupos e torna-se acessível a operações de médio porte com o amadurecimento das soluções disponíveis no mercado.
Regulação, segurança de dados e os próximos passos
A transformação digital no setor funerário traz consigo responsabilidades que vão além da adoção de ferramentas. O tratamento de dados sensíveis de famílias e de falecidos exige conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), publicada em 2018 e em plena vigência desde 2020. Cemitérios e funerárias que coletam, armazenam e processam informações pessoais precisam de políticas claras de privacidade, contratos adequados com fornecedores de tecnologia e equipes treinadas para lidar com incidentes de segurança.
A digitalização, quando conduzida sem planejamento, pode expor empresas a riscos jurídicos e reputacionais significativos. Na visão de Tiago Schietti, o caminho mais seguro é a implantação gradual, com suporte especializado e atenção permanente à conformidade regulatória, construindo uma base tecnológica sólida que sustente o crescimento do negócio sem comprometer a confiança das famílias atendidas.
A tecnologia não muda a essência do serviço funerário, que permanece centrado no cuidado com as pessoas em um dos momentos mais vulneráveis de suas vidas. O que muda é a capacidade das empresas de exercer esse cuidado com mais precisão, mais alcance e mais consistência, atributos que, no mercado funerário, fazem toda a diferença.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
