Entre todas as decisões operacionais que moldaram a Fundação Gentil Afonso Duraes ao longo de mais de duas décadas, uma das mais reveladoras sobre a forma como Eloizo Gomes Afonso Duraes pensa a inclusão social é, paradoxalmente, uma das mais discretas: a provisão de transporte gratuito para todas as crianças atendidas pelo programa. Esse detalhe logístico é, na verdade, uma declaração filosófica sobre o que significa realmente oferecer uma oportunidade a quem mais precisa.
A barreira invisível que exclui
Em comunidades de baixa renda, a falta de transporte é uma das principais razões pelas quais crianças e adolescentes deixam de acessar serviços educacionais e sociais mesmo quando esses serviços são completamente gratuitos. O problema é que o custo do deslocamento, por menor que pareça a quem tem renda confortável, pode ser o fator decisivo entre participar ou não de um programa para uma família que vive no limite do orçamento.
Há ainda a questão da segurança: em muitos contextos urbanos, pais e responsáveis hesitam em deixar crianças pequenas se deslocarem sozinhas por distâncias significativas, especialmente em regiões com problemas de segurança pública. A disponibilização de transporte pela Fundação elimina ambas as barreiras simultaneamente, garantindo que nenhuma criança fique de fora por razões que não têm nada a ver com vontade ou capacidade de aprender.
Uma decisão que muda tudo
Eloizio Gomes Afonso Duraes entendeu que criar um programa educacional de qualidade e não resolver o problema do acesso é construir uma ponte que não alcança a outra margem. De nada adianta ter um espaço excelente, profissionais dedicados e atividades cuidadosamente planejadas se as crianças que mais precisam dessas oportunidades não conseguem chegar até elas.

A decisão de disponibilizar transporte para todas as crianças, com entrada organizada pelo portão 13 do CEAGESP e horários definidos tanto para o período da manhã quanto para o da tarde, transformou o programa em algo verdadeiramente acessível. Não acessível apenas no sentido formal de ser gratuito, mas acessível no sentido prático e real de que qualquer criança da região pode participar, independentemente de onde mora ou de quanto sua família pode gastar.
O que esse gesto ensina sobre design social
A experiência da Fundação Gentil com o transporte oferece uma lição importante para qualquer pessoa envolvida com o design de programas sociais: é preciso olhar além do óbvio e mapear todas as barreiras que podem impedir as pessoas de acessar uma oportunidade, não apenas as mais visíveis. Muitas iniciativas bem-intencionadas falham não porque a proposta central é ruim, mas porque aspectos práticos como transporte, horário, burocracia de matrícula ou falta de informação sobre o programa nunca foram adequadamente endereçados.
Eloizo Gomes Afonso Duraes, ao construir a Fundação Gentil com essa atenção aos detalhes que fazem diferença na vida real das famílias atendidas, demonstrou que filantropia eficaz exige não apenas generosidade, mas também a capacidade de ver o mundo a partir da perspectiva de quem você quer alcançar. Essa perspectiva, cultivada ao longo de mais de duas décadas de presença próxima às comunidades atendidas, é talvez o ativo mais valioso que Eloizio Gomes Afonso Duraes construiu ao longo de toda essa trajetória.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
